Antes mesmo de estarem grávidas, as futuras mamães devem ficar atentas à alimentação. Um dos componentes essenciais para uma gestação saudável é o ácido fólico, vitamina do complexo B (B9), que tem papel fundamental na divisão celular. O suplemento participa ativamente no desenvolvimento do cérebro e na formação da coluna do bebê, devendo ser tomado pela mulher antes de engravidar. Estudo recente revelou que o folato também reduz o risco de problemas cardíacos para o bebê.
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Entre a maior parte dos ginecologistas, a recomendação é que, pelo menos, trinta dias antes de engravidar, elas já comecem fazer uso da medicação. “A mulher deve começar a tomar o ácido fólico pelo menos trinta dias antes de engravidar, mantendo seu uso por mais três meses após o resultado positivo do teste. Daí a importância de se planejar muito bem a vinda do bebê”, ressalta o ginecologista e obstetra Dr. Reynaldo Augusto Machado Junior. Saiba mais informações sobre o assunto com o profissional:

O que é ácido fólico?
O ácido fólico é uma vitamina do complexo B, que atua na síntese dos ácidos nucleicos, da hemoglobina e também no processo de multiplicação celular, ou seja, ele é essencial para a formação dos nossos genes, divisão celular e formação de células sanguíneas na medula óssea.

Qual a importância da suplementação com ácido fólico para o bebê?
O ácido fólico reduz, em até 80%, a chance de o bebê apresentar um Defeito Aberto do Tubo Neural (DATN). O tubo neural dá origem ao sistema nervoso. O defeito mais frequente é a anencefalia, uma ausência parcial ou total do crânio. Mas também pode ocorrer a encefaloce, a meningocele e/ou a meningomielocele.

Se a mãe começar a tomar ácido fólico somente depois que descobrir a gravidez, o bebê estará protegido?
A recomendação é que a mulher comece a tomar o ácido fólico por pelo menos trinta dias antes da gravidez, daí uma das importâncias do planejamento da vinda do bebê, mantendo seu uso por três meses após o teste de gravidez positivo. Mas, o que ocorre, na maioria dos casos, é que a gravidez é descoberta a partir da quarta semana. Dessa forma, o ácido fólico não traz benefícios, pois a falha no fechamento do tubo neural ocorre de 17 a 30 dias após a concepção, ou seja, de três a quatro semanas de gestação.

Existem mamães com fatores de risco aumentado?
Sim, porém a maior incidência dos casos, 95%, ocorre sem que exista fator de risco detectável. Apenas 5% apresentam fatores de risco, como as mães diabéticas, insulinodependentes, obesas, baixa absorção alimentar, como em pacientes com cirurgia de redução do estômago, e as que já tiveram filhos com DATN, para as quais a dosagem recomendada deve ser dez vezes maior (4mg/dia).

O hábito de ingerir alimentos ricos em ácido fólico protege o bebê do risco?
A alimentação é fundamental em todas as fases da vida e ainda mais em uma situação tão especial. Mas mesmo que a mamãe tenha uma ótima alimentação, o médico precisa receitar uma suplementação diária, já que a absorção na alimentação não é suficiente, correspondendo a apenas 100 mcg/dia, e a quantidade necessária é de 400 mcg/dia. A importância da sua ingestão também é uma preocupação do Governo Federal. Desde 2000, a farinha vem sendo fortificada com 150 mcg da substância. Em um importante estudo realizado na Faculdade de Saúde Pública da USP, foi demonstrado que a medida reduzirá em 35% dos casos.

Quando você recomenda o uso do ácido fólico?
Como boa parte das gestações não é planejada, toda mulher que inicia a atividade sexual deveria ingerir 400 mcg/dia, sendo que nessa dosagem seu uso é seguro. Nas planejadas, a recomendação é de iniciar a ingestão pelos menos 30 dias antes, mantendo por 90 dias após o teste de gravidez positivo. É sempre importante planejar a vinda do bebê, pois a orientação médica pode diminuir a incidência do risco.

Alimentos que contêm Ácido Fólico
O ácido fólico é encontrado em vegetais verde-escuros frescos, feijão, fígado, rins, nozes, avelã, caju, amêndoa, amendoim, soja, levedura, lentilha, leite, tomate, germe de trigo cru, ovo (gema), banana e frutas cítricas. Pode ser encontrado também em produtos industrializados, como pães e biscoitos, devido às farinhas de trigo e milho, que são enriquecidas com a vitamina desde 2004, quando a Anvisa regulamentou a adição do ácido fólico nas farinhas de trigo e milho de 0,15 mg/100 g.

Vale lembrar que o cozimento prolongado destrói 90% do conteúdo do folato dos alimentos.